Início de ano, tantas despesas…Novas e antigas…

Todos empreendedores e empreendedoras devem estar pensando em organizar suas finanças para se preparar para o que vem por aí…. um ano inteiro!!!

O Divertidoso Guilherme Gargantini, com larga experiência como Industrial e Gerente Financeiro, elaborou um Fluxo de Caixa para micro e pequenos empresários(as). Abaixo publico um manual financeiro e uma imagem da planilha básica do Fluxo de Caixa Empresarial. Para obter a planilha propriamente dita para lançarem suas entradas e saídas, basta enviar um e-mail para divertidosos@gmail.com e retornaremos com o arquivo. Poderemos fazer fluxos de caixa personalizados sob demanda. Muito sucesso a todas e a todos empreendedores(as) em 2018! 


MANUAL FINANCEIRO – POR GUILHERME GARGANTINI

A idéia de editar um “Manual Financeiro” para micro, pequenas e médias empresas, surgiu quando li no jornal “O Estado de SP”, que recebo diariamente há muitos anos, uma pergunta a um consultor financeiro de um microempresário, com o título: “Tenho uma micro e não possuo controle financeiro, o que devo fazer”?

Tal pergunta despertou em mim a vontade de ajudar empreendedores, que na maioria das vezes investem suas economias, indenizações, venda de bens, em uma idéia, que se torna uma empresa, mas que rapidamente, ante a falta de conhecimentos financeiros básicos, leva a grande maioria a fechar as portas, e a perder todo seu investimento, além de enfrentar decepcionantes fracassos diante de todos aqueles que acreditaram nos seus empreendimentos.

Acredito que informações elementares possam evitar tais fracassos de micro, pequenos e médios empreendedores.

Na minha visão, também com o auxílio da informática, é possível facilitar o acompanhamento dos negócios e alcançar o sucesso, desde que o empreendedor conheça o “ABC” das finanças que permeiam seu dia-a-dia. Para tanto, vale usar, inclusive, a aritmética de tempos remotos, que firmou o sucesso de muitos. Tentaremos esclarecer e facilitar os seguintes assuntos:

1) Cálculo de Custos e sua Rentabilidade;
2) Viabilidade Econômica;
3) Fluxo de Caixa;
4) Ponto de Equilíbrio;
5) Controle do Caixa;
6) Balanço Informativo;

São temas simples, que poderão orientar o empresário ou a empresária dando-lhes uma noção exata de seus negócios. Boa Sorte! Bom Aprendizado!!!


1) Cálculo de Custos e sua Rentabilidade:

A maior parte dos empresários que iniciam seu negócio, já começa de maneira errada. Exemplo: Se o produto que vou vender, me custou R$ 10,00, eu estabeleço meu preço de venda em R$ 18,00, o que significa que vou ganhar 80%, certo? ERRADO! A conta certa é a de Rentabilidade sobre as vendas, e não sobre as compras.

Se eu vendi o produto por R$ 18,00, devo fazer a seguinte conta:
• Custo de compra: R$ 10,00
• Preço de venda: R$ 18,00
• Lucro bruto: R$ 8,00
• R$ 8,00 sobre meu preço de venda, R$ 18,00, é igual a 44,4%, e não os 80% inicialmente imaginados.

Por que acontece essa diferença? Todas as suas despesas deverão ser baseadas no faturamento bruto, se por acaso as vendas forem de 500 peças, o faturamento será de R$ 9.000,00, o que gerará um lucro de R$ 3.996,00, e não os R$ 8.000,00 presumidos…

As outras despesas deverão considerar o lucro apurado, pois o empresário ou a empresária precisam arcar com aluguéis, folha de pagamento, pró-labore, energia, impostos, encargos, etc…

Para a sobrevivência da empresa, os empreendedores deverão estar atentos a estas informações, pois, do contrário, poderão incorrer em prejuízo e consequente endividamento, com a consequ0ente “quebra” da empresa.


2) Viabilidade Econômica

Toda empresa é criada com o objetivo principal de dar resultado, lucro, ao seu criador.

Para tanto, o empresário ou a empresária precisam atentar-se a todos os fatores gerados pela mesma, ou seja:
• Controle de Vendas;
• Rentabilidade;
• Caixa Diário;
• Fluxo de Caixa;
• Balanço Gerencial;
• Lucro sobre as Vendas;
• Poder de Liquidez;
• Endividamento Possível.

Todos este itens merecem uma especial atenção do empreendedor, para que seu negócio mantenha-se dentro do equilíbrio financeiro e não torne a empresa uma preocupação constante, que possa levá-lo ao desânimo e perda do entusiasmo. Se a desmotivação acontecer, seu empreendimento correrá sério risco.


3) Fluxo de Caixa

Estamos no Século XXI, onde a informática domina nossos universos, mas ainda há certas coisas que não mudaram – nas escolas de Ensino Fundamental, utiliza-se o “Quadro Negro” e o caderno, para ensinar o “ABC” às nossas crianças. Mal comparando, é este o objetivo de se fazer um “Fluxo de Caixa”, que leve o empresário ao raciocínio lógico e fundamental para o sucesso de seu empreendimento.

Anexo uma planilha básica, para guiar e orientar visualmente suas contas e o rumo a seguir. Notem que neste Fluxo de Caixa existem duas colunas, uma que resume o que pensa ou espera fazer o empresário, e outra que corresponde ao que aconteceu de fato (Realizado).

Grandes empresas costumam acompanhar seu Fluxo de Caixa diariamente, porém micro, pequenas ou médias empresas podem optar por prazos semanais ou quinzenais, dada a simplicidade de seus negócios.

Optei por um Fluxo de Caixa Semanal como exemplo, e para melhor entendimento de seu contexto. Devo salientar que os valores a transportar (A-
B) jamais poderão ser negativos, pois o Fluxo de Caixa trata única e exclusivamente da movimentação do dinheiro, e ninguém pode sair com “menos R$ 20,00”, isso não existe.

Quanto houver distorções entre a previsão e o realizado, deve ser feita a correção no próximo período do fluxo. Em caso de endividamento, o prazo para pagamento deverá seguir rigorosamente o disponível no Caixa, na data acordada. O uso constante do Fluxo de Caixa permitirá ao empreendedor visualizar seus números, dando-lhe maior capacidade para dirigir seus recursos de maneira mais prática, permitindo um melhor “foco” em seus negócios.

O fechamento diário do Caixa é básico para a formatação do Fluxo de Caixa de sua empresa, não deixe de fazê-lo.


4) Ponto de Equilíbrio

Todo negócio necessita de um valor de vendas que cubra todas as despesas geradas.

O ponto de equilíbrio básico é encontrado quando o faturamento é igual ao custo das mercadorias, mais as despesas totais.

Exemplo:
Faturamento R$ 16.000,00
Custo mercadorias R$ 10.000,00 + Despesas totais R$ 6.000,00

Para manter seu negócio funcionando, é necessário um faturamento de R$ 16.000,00 que cubra todos os gastos da empresa. A rentabilidade só começa a aparecer acima deste valor, o que aumenta também suas despesas, porém em volumes menores.


5) Controle do Caixa

O controle do Caixa deve ser feito diariamente, registrando entradas e saídas realizadas, para saber qual saldo ficará disponível.

O saldo de Caixa inicial deverá ser o total que o empreendedor apresentar como recursos disponíveis em geral, como Bancos, dinheiro existente, cheques que irão se juntar com as vendas realizadas diariamente pela empresa.

Esta atividade é, sem dúvida, uma atividade monótona, o que leva o empreendedor, na maioria das vezes, a abandonar o rigor necessário, e eventualmente usar dinheiro do próprio bolso como caixa geral, gerando um total descontrole financeiro.

É fundamental que este controle seja rigoroso, em todos os sentidos, duplicatas a receber, cheques pré-datados, cartões de crédito e todos os valores que entram no controle do caixa, pois estes irão favorecer a manutenção do “Fluxo de Caixa”, que é extremamente importante para decisão dos rumos a serem seguidos.

O empreendedor nunca deve misturar suas contas pessoais com as contas da empresa, seja de qual tamanho for o seu empreendimento. Muitas vezes o empreendedor possui outras atividades remuneradas, salários, recebimento de terceiros, vendas de ativos, etc., e estas só deverão participar de seus negócios quando bem detalhadas no seu Caixa.


6) Balanço Informativo

O objetivo deste Balanço, não é oficial, mas sim para gerenciamento e demonstração dos recursos e obrigações existentes, devendo ser feito, no mínimo, semestralmente. O mesmo contará com o Ativo e o Passivo.

Ativo é tudo aquilo que a empresa apresenta disponível para seu bom funcionamento: Receita de Vendas, Contas a Receber, Caixa, Bancos, Estoques (avaliados pelo preço de custo), e Imobilizado(balcões, prateleiras, computadores, vitrines, expositores).

Passivo é tudo o que a empresa tem que honrar como compromissos, ou seja, suas dívidas: Fornecedores, Salários a pagar, Impostos e Encargos Sociais a pagar, Empréstimos Bancários.

A diferença entre o Ativo e o Passivo gera o Patrimônio Liquido da empresa, que deve ser o foco de atenção do empreendedor, pois a demonstração de seu patrimônio é assim verificada.

Se houver aumento de seu Patrimônio Líquido, significa que a empresa está gerando lucros nas suas operações, o contrário será motivo de atenção, uma vez que seu capital está se esvaindo, o que demonstra urgência na direção de seus negócios.


 


endereço da imagem: http://www.portalaltonia.com.br/colunistas/a-historia-da-contabilidade/